Patrulha Maria da Penha leva diálogo sobre prevenção à violência a empresa de Aracaju

Patrulha Maria da Penha leva diálogo sobre prevenção à violência a empresa de Aracaju

Nem toda violência deixa marcas visíveis. Algumas se manifestam por meio do medo, do silêncio, do controle, da ameaça ou do isolamento. Muitas vezes, porém, esses sinais começam a ser percebidos quando alguém encontra espaço para falar. Foi a partir dessa perspectiva que a Patrulha Maria da Penha (PMP), da Guarda Municipal de Aracaju (GMA), realizou, nesta quarta-feira, 12, mais uma ação do ‘Agosto Lilás’.
Desta vez, a atividade aconteceu na empresa de transporte Vitória e reuniu colaboradores em um momento de escuta, reflexão e diálogo sobre o enfrentamento às violências de gênero, doméstica e familiar. Durante a conversa, os participantes compartilharam percepções, situações vivenciadas por pessoas próximas e histórias que, de alguma forma, atravessaram suas vidas. A discussão mostrou que falar sobre violência também é uma forma de preveni-la.
Para a supervisora da Patrulha Maria da Penha, Elaine Freire, responsável por conduzir a conversa, a aproximação com a comunidade é parte essencial do trabalho desenvolvido pela PMP.
“Quando a gente chega a um ambiente como esse e consegue fazer com que as pessoas se sintam à vontade para falar, ouvir e refletir, já estamos fazendo prevenção. Às vezes, uma informação compartilhada aqui pode ajudar alguém a reconhecer uma situação de violência, procurar ajuda ou orientar uma mulher que está vivendo isso. Nosso trabalho é também estar perto, construir confiança e mostrar que nenhuma mulher precisa enfrentar essa realidade sozinha”, afirmou.
A Patrulha Maria da Penha é o grupamento especializado da Guarda Municipal de Aracaju responsável pelo acompanhamento de mulheres encaminhadas pelo Poder Judiciário que possuem medidas protetivas de urgência. A atuação da PMP, no entanto, vai além do acompanhamento individualizado. As equipes também desenvolvem ações de prevenção e educação por meio de palestras, rodas de conversa, campanhas e panfletagens. As iniciativas aproximam a Guarda Municipal da população e ampliam o acesso a informações sobre direitos, proteção e os caminhos para buscar ajuda.
Na empresa Vitória, essa aproximação ganhou significado especial para os participantes. O supervisor de almoxarifado, Anderson Machado, destacou a importância de levar o debate para os ambientes de trabalho.
“É um tema que precisa ser conversado. Muitas vezes, a pessoa passa por uma situação ou conhece alguém que passa e não sabe como agir. Ter essa oportunidade de ouvir profissionais que trabalham diretamente com essas mulheres ajuda a gente a entender melhor o problema e também a saber como podemos contribuir”, afirmou.
Para a psicóloga Nélia Ferreira, falar sobre violência também significa romper com a naturalização de comportamentos que podem evoluir para situações mais graves.
“A violência nem sempre começa de uma forma que seja facilmente reconhecida. Por isso, informação e conscientização são tão importantes. Quando conseguimos identificar sinais, compreender os ciclos da violência e saber onde buscar apoio, aumentamos as possibilidades de interromper essa história”, explicou.
A fiscal de contratos, Zikeila Amorim, ressaltou que a conversa provocou reflexões que ultrapassam o ambiente profissional.
“Foi uma conversa que fez a gente olhar para situações que, muitas vezes, estão próximas de nós e que acabam sendo silenciadas. A informação nos fortalece e pode fazer diferença na vida de uma mulher”, afirmou.
Presença que protege
Em sete anos de atuação, a Patrulha Maria da Penha já acompanhou mais de 250 mulheres em Aracaju. Nesse período, nenhuma das mulheres assistidas pelo serviço foi vítima de feminicídio. O resultado reforça a importância do registro da violência, da adoção de medidas protetivas e do acompanhamento especializado realizado pela rede de proteção.
Para a GMA, cada atendimento representa mais do que um número: representa uma história que pode tomar outro rumo. Por isso, ações como a realizada na empresa Vitória integram a estratégia de prevenção da Patrulha Maria da Penha.
Levar informação para os espaços onde as pessoas vivem, trabalham e convivem significa ampliar a rede de proteção e criar novas possibilidades de diálogo. Durante o Agosto Lilás, a Guarda Municipal de Aracaju reforça uma mensagem que deve ser lembrada todos os dias: enfrentar a violência contra a mulher também é estar perto, ouvir e agir.
Fonte : Prefeitura de Aracaju