Escola de Artes em Aracaju amplia formação de novos talentos
A valorização das variadas linguagens artísticas é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento cultural de uma cidade. Em função disso, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), mantém a Escola de Artes Valdice Teles, facilitando o acesso dos aracajuanos ao aprendizado artístico. A unidade, localizada no bairro São José, oferece cursos e oficinas de diversas áreas, como artes visuais, música, teatro, dança e literatura.
Fomentando a cultura local, a escola está ofertando, neste período letivo de 2026.1, 45 cursos em três linguagens: arte cênica, com teatro e dança; visuais, com fotografia, pintura e desenho; e música, com vários instrumentos como teclado, sanfona, bateria, violão, flauta doce, percussão e entre outros. Os cursos ofertados na Valdice Teles possuem uma duração em média de dois anos, com disciplinas que vão evoluindo conforme a medida dos períodos. O coordenador da escola, Luís Santana, explica que a escolha dos cursos e oficinas que serão ofertados em cada período depende bastante da procura do público. “Nós avaliamos o que as pessoas mais estão buscando. Então, vamos supor que a procura por dança do ventre é alta, aí tentamos ofertar turmas em todos os semestres. E para aqueles que não tem tanta procura orientamos os oficineiros a deixar para o período seguinte”, falou.
A partir do edital lançado em janeiro deste ano, a Valdice Teles admitiu 911 novos alunos nas suas diversas turmas, sendo que 20% dessas vagas foram destinadas a Pessoas com Deficiência (Pcd), pessoas negras, povos originários, comunidade LGBTQIAPN+ e refugiados através da reserva de vagas, reforçando o compromisso da gestão municipal com a democratização do acesso à arte. O coordenador destaca que a principal função da Valdice é levar a arte para todos os cantos da cidade.
“Essa escola tem como objetivo expandir a arte por toda Aracaju e fazer com que quem tenha interesse possa aprender e se desenvolver. Porque aqui é um lugar onde a criatividade não tem limites, aqui cada pincelada, cada nota, cada movimento é uma oportunidade de se expressar e se descobrir para continuar mostrando o seu talento. E assim, levar cultura para comunidades mais carentes, praças e escolas públicas, além de trazer esse pessoal para conhecer e integrar a Valdice”, pontuou.
Para o professor de percussão, Edson Pikenno, a escola de artes serve para introduzir as pessoas ao mundo das artes, principalmente a música. “A Valdice é um incentivo inicial para quem não conhece e vem para cá sem saber o instrumento que quer, muitas vezes vem com muita dúvida, principalmente na área da percussão. E depois de iniciar aqui, eles acabam não querendo sair da escola e vão passando de um curso para outro, para alguns a música vira até um projeto de vida”.
Wescley Alessandro, de 40 anos, é um exemplo de aluno que pretende se tornar um profissional da música ao finalizar o curso de percussão. “Eu quero continuar aprendendo mais sobre percussão no geral para tocar profissionalmente em uma banda. E a Valdice vem me possibilitando adquirir esses conhecimentos e vivências com os colegas de turma e músicos locais, porque hoje em dia vivemos tão isolados com a internet, que ter esses momentos de convivência é muito bom”, disse.
O coordenador da Valdice Teles reforçou que mesmo após a finalização dos cursos, eles continuam fazendo o acompanhamento dos alunos que ingressam no mercado de trabalho. “Muitos entram nos cursos buscando um hobby, mas tem outros que se profissionalizam. Já tivemos alunos que hoje são professores de dança e que entraram em bandas famosas. Então, nós realizamos esse acompanhamento, ajudando no que está ao nosso alcance, também realizamos homenagens a eles e sempre seguimos incentivando”.
O professor da oficina de sanfona, Júnior do Acordeon, que também atua profissionalmente na área e já foi professor de outras escolas de artes, retornou às salas da Valdice Teles há dois anos. O professor apontou que a sua experiência de palco é o que mais influência a sua metodologia com os alunos. “Aqui nas oficinas é diferente de um conservatório, por exemplo. Porque lá nós temos um tempo maior de preparo dos alunos, trabalhamos a cada passo, mas nas oficinas já pegamos meio que no caminho andado. Então, precisa dessa agilidade e experiência profissional que adquirimos no palco para ensinarmos o conhecimento em um espaço menor de tempo e estarem tocando alguma coisa em poucos meses”.
Aluno de Júnior, Júlio Silva, de 61 anos, contou que sempre teve interesse em aprender a tocar algum instrumento. Durante a adolescência tentou aprender violão sozinho, mas acabou desistindo, o que gerou um distanciamento da música, que foi aprofundado quando chegou a vida adulta com a rotina de trabalho. Júlio conta que, agora após se aposentar, buscou a Valdice Teles para iniciar seu antigo hobby. “Agora com a aposentadoria tenho mais tempo e vim realizar esses planos de quando eu era jovem. E quando cheguei, escolhi a sanfona, que não sabia de nada, mas aos poucos estou evoluindo e estou gostando muito”. Júlio também aponta que pretende fazer outros cursos após finalizar a oficina de sanfona.
A evolução pessoal e profissional dos alunos é um dos principais fatores que fazem a Valdice Teles existir. E também é uma das motivações para os profissionais que atuam nela, como a professora de teatro, Ana Kelly. Atuando na cena local há aproximadamente 23 anos, Ana diz que a melhor coisa de estar em sala de aula é ver a transformação dos alunos após o contato com a arte.
“A gente começa a se conectar com eles e fico emocionada de vê-los mostrando o poder que eles têm. E muitos que chegam aqui têm tanta coisa guardada, tantas inseguranças, e eu fico feliz que aqui eles começam a se abrir e não ter medo de serem eles mesmos e serem livres. Então, eu fico com os olhinhos cheios marejados quando vejo um aluno que entrou na primeira aula sem conseguir falar nada e finaliza se apresentando por aí a fora, e tendo força para enfrentar outras coisas da vida”, contou.
A estudante de psicologia, Heloísa Dantas, de 22 anos, é uma das alunas de teatro e disse que o momento em sala de aula é muito acolhedor. “Ana Kelly é uma professora bem acolhedora, aqui conseguimos nos expressar sem medo, cada um no seu tempo, é tudo muito gostoso”. Heloísa também destaca que a Valdice Teles é muito importante para facilitar o acesso das pessoas às artes. “O mundo artístico ainda tem esse estigma de ser elitizado, porque nem todo mundo tem recurso financeiro para pagar as aulas. Então, é muito importante a oferta de cursos como esse de maneira acessível para que todos possam ter essas vivências coletivas e culturais”, finalizou.

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