Prefeitura de Aracaju cobra recomposição de asfalto após intervenções da Iguá no Paraíso do Sul
Mais de dez ruas recém-pavimentadas foram afetadas por cortes para instalação de tubulações; obra municipal recebeu investimento de R$ 36,1 milhões
A Prefeitura de Aracaju voltou a notificar a concessionária Iguá Sergipe após identificar danos em ruas que haviam recebido pavimentação recentemente no Loteamento Paraíso do Sul, no bairro Santa Maria. A fiscalização da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) constatou cortes no asfalto para a execução de novas ligações de água sem autorização do município.
A nova notificação foi emitida nesta segunda-feira (31) e determina a interrupção imediata das intervenções, além do comparecimento da concessionária à sede da Emurb para regularizar os serviços. A empresa também deverá realizar a recomposição integral do pavimento, seguindo os padrões técnicos estabelecidos pelo município.
Segundo a fiscalização, os cortes foram feitos para a instalação de tubulações da rede de abastecimento e acabaram comprometendo o asfalto que havia sido executado como parte das obras de infraestrutura do loteamento.
A legislação municipal estabelece que intervenções em vias públicas precisam de licenciamento prévio. A Lei Municipal nº 4.735/2015 também atribui à Emurb competência para fiscalizar obras, determinar embargos e aplicar sanções quando houver intervenções irregulares na malha viária.
O município argumenta que abrir valas em pavimentos recém-concluídos, sem autorização, pode reduzir a vida útil da infraestrutura e comprometer recursos públicos investidos na melhoria das ruas.
Moradores reclamam dos danos
A fiscalização identificou intervenções em mais de dez ruas do Paraíso do Sul. Em alguns pontos, moradores também relataram problemas relacionados a vazamentos após a realização dos serviços.
Para quem acompanhou durante anos a transformação da região, a situação gera insatisfação. O morador Radamés Melo defende que a recomposição seja feita com a mesma qualidade da pavimentação original.
Outra moradora, Adriana Luiza dos Santos, que vive na comunidade há cerca de 12 anos, também criticou os cortes realizados depois da conclusão do pavimento. Segundo ela, a rua havia acabado de receber o asfalto e apresentava boas condições antes da intervenção.
O problema não está restrito ao Paraíso do Sul. Segundo a Prefeitura, situações semelhantes foram identificadas em áreas que também receberam ou estão recebendo obras municipais de infraestrutura, incluindo os loteamentos Porto do Gringo e Monte Belo, na Soledade, o Recanto da Jaqueira, no Porto D’Antas, e trechos das avenidas Visconde de Maracaju e Juscelino Kubitschek.
Também há registros de intervenções em áreas da Zona de Expansão, onde obras municipais de infraestrutura continuam em andamento.
Obra no Paraíso do Sul tem investimento de R$ 36,1 milhões
A primeira etapa das obras de infraestrutura do Loteamento Paraíso do Sul tem previsão de entrega para setembro de 2026 e contempla a Área 3 do empreendimento. O investimento é de R$ 36.123.915,31.
O projeto inclui aproximadamente 1,6 quilômetro de redes de micro e macrodrenagem, 3,15 quilômetros de rede de esgotamento sanitário e cerca de 35 mil metros quadrados de pavimentação asfáltica.
Também estão previstos passeios acessíveis e sinalização horizontal e vertical, ampliando as condições de mobilidade e segurança para moradores e pedestres.
Como parte da intervenção, um calçadão de 140 metros foi urbanizado em uma área que anteriormente era utilizada para descarte irregular de resíduos. O espaço ganhou playground, bancos, pergolado, paisagismo, pintura artística e reforço na iluminação, com a instalação de seis novos postes.
A primeira fase contempla integralmente diversos logradouros da Área 3 e também incorporou as ruas 36, 37 e 38 ao projeto de pavimentação.
A segunda etapa será destinada à Área 2, abrangendo mais de dez ruas e travessas. Nessa fase, estão previstos serviços de terraplenagem, drenagem pluvial, esgotamento sanitário, pavimentação, sinalização viária e acessibilidade.
Com a cobrança pela recomposição dos trechos danificados, a Prefeitura busca preservar a qualidade da infraestrutura recém-entregue e evitar que intervenções posteriores comprometam os resultados das obras realizadas no loteamento.

